Ana Gouvêa tem 33 anos, é deficiente visual, casada, mãe. Trabalha com publicidade, escreve contos e crônicas para alguns blogs e textosdebochados pro www.pimentasnoreino.com. Neologista, neopagã e neocíclica, tá no mundo pra ser feliz. Para entrar em contato, envie um email para liza@vcnafoto.com.br ou www.twitter.com/AnaGouvea
::Mudança de hábito
Último trimestre do ano chegou. Coisa boa, já começam os planos para o verão, as viajens de férias, a compra do material escolar do ano que vem... E isso tudo me lembra as festas. Confraternização da empresa, fim de ano no colégio, Natal, amigo secreto, ceia de Ano Novo... O que nos remete quase que diretamente a um assunto também recorrente dessa época do ano: a etiqueta em eventos sociais. Ou a falta dela. Todo mundo tem aquela tia (normalmente gorda) que fala alto, gesticulando tal qual um polvo, pegando a comida com as mãos e fuçando no prato alheio? E aquele tio querido que enche a boca de comida e desanda a conversar antes de engolir? De vez em quando ele até abaixa um pouquinho o rosto, só praquele excesso de farofa voltar pro prato. E os primos que enchem a cara e ficam dando cantada nas tias? Tem também os colegas de trabalho que dão aqueles presentinhos idiotas no amigo secreto? Caixa de camisinhas de chocolate para a moça do financeiro, calcinha sensual para a senhora do almoxarifado, charuto que explode para o chefe. Pelamordedeus, usa o cérebro! Qual é a graça de fazer um colega (que provavelmente só fala contigo por causa da empresa) passar essa vergonha? Por educação, a criatura vai dar um sorriso amarelo e te agradecer, mas no fundo a vontade é dar um pescotapa de mão aberta e afrimar categoricamente que a culpada é a mãe do desgraçado, que não soube fechar as pernas. Enfim: essa época sempre faz a gente ficar mais carinhoso, caridoso, emotivo. Seria legal se as pessoas optassem também por ficar mais racionais!